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15 de novembro de 2017
como termina um amor?

eu e o Rafael terminamos.

terminamos alguma coisa, 

uma coisa entre várias que compõe nossa relação.

As últimas duas semanas não foram fáceis, eu chorei muito em alguns momentos — na maioria por medo dessa palavra: término, como se implicasse uma morte absoluta de todas as coisas. Acho que é natural não ser simétrico, estranho seria o contrário; por mais que exista uma vontade de ambos de transformar as coisas — frio e estério seria ignorar isto — as vontades envolvidas no ‘não dá mais para ser assim‘ nunca são iguais; mas se alimentam de uma coisa que é necessária em ambos: coragem

coragem para assumir uma decisão; 

coragem para mudar o rumo da vida;

coragem para perder algumas coisas e ganhar outras — as melhroes coisas da vida não exigem o mesmo? Inclusive, se apaixonar? 

(um amigo me disse na festa: a primeira e a última verdade são sempre as mesmas — estar junto)

ora, todos os planos e projeções de futuro juntos se foram? Não, mas alguns sim, e isto também exige coragem e, principalmente, serenidade e alegria. Claro, frente o fim de todas as coisas que vivemos – e aqui falo de política, mas também de medo e amor -, não ter mais esse porto seguro no futuro assusta. Mas não seria exatamente por estarmos todos frente o fim de todas as coisas que tenhamos que olhar mais para dentro no momento? Escavar em nós mesmos, mas também no outro e, principalmente, nos vários outros individualmente, pedaços que possam nos ajudar neste percurso? 

A instância que eu e o Rafael construímos não é uma taça de cristal para entrever a tudo, ou para se despedaçar ao menor toque errante. É um lugar abstrato de aprendizado que, parece, não se esgotou e, por isso, deve ser mais como o líquido dentro da taça do que a própria. Pós modernos dirão amores líquidos, mas é na escuta das menores coisas que reside a maior força, e isto é muito sólido. Colocar-se no mundo como as cigarras, consciêntes da morte instantânea, cantam para toda a floresta esperando que algo possa garantir a sobrevivência de sua espécie. 

Não amigos, não está sendo fácil — mas não está sendo fácil para ninguém, não é mesmo? 

Há uma nova leveza, um novo devir, uma nova força, e a mesma escuta que construímos, agora, amplificada: de mim comigo mesmo, com ele, com vocês; de nós.